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sexta-feira, 11 de março de 2011
Bastidores do curta metragem `Dom de Deus `...
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Antonio Petrek.
Esta é uma matéria do jornal Folha de Irati, na ediçao que estará disponível na data de 12/03/2011
Antonio Petrek, filho de pai ucraniano, e mãe descendente de ucranianos, nasceu em Junho de 1929, e faleceu em janeiro deste ano de 2011. Aos 14 anos conheceu um oficial desertor do exercito russo - e que era czarista-, e que aportou no litoral argentino, tendo vindo mais tarde residir em Rio Azul. Antonio acompanhou este, que era formado em Belas Artes, e com ele foi iniciado no ofício que mais tarde lhe renderia a fama. Mesmo ainda na adolescência e juventude, Antonio era assíduo freqüentador do antigo cinema de Rio Azul, e da plataforma da RFFSA – uma espécie de ponto de encontro - , onde num vagão especial, fazia a compra de revistas, gibis e jornais. Sempre referiu “O Conde de Montecristo”, de Alexandre Dumas. (sic...)
A característica pessoal de somente trabalhar à noite não se devia apenas ao isolamento e à tranquilidade para os pincéis, mas para acompanhar no silencio, programas radiofônicos. Seus programas preferidos eram o Salão Grená, da Radio Tupi-Rio, Noturno Guaiba, da Guaiba de Porto Alegre, e a facilidade de captação de ondas de rádios argentinas, pois era amante dos tangos orquestrados. Não gostava de músicas com vocal, apenas as melodias instrumentadas.
Tendo sido alvo de duas matérias televisivas da Tv Globo, Petrek iniciou sua vida profissional como auxiliar, pintando paredes internas de residentes no interior, especialmente de famílias polonesas e ucranianas. Os motivos eram cenas bíblicas, estampas e bordados multi-coloridos.
No auge de seu trabalho, produziu o que mais impressiona, que são seus trabalhos nas Igrejas Ucranianas de Mallet, e Paulo Frontim. No entanto, o que também impressiona, e ainda é motivo de certa polemica, é a Igreja de Cachoeira dos Paulistas, do rito latino, e que ainda pende de tombamento pelo Municipio.
Esta transição de um homem criado no seio de uma família de ucranianos levou para as igrejas latinas, traços do renascentismo, com uma hermética no que diz respeito a espaço e cores. O realismo dos motivos impressiona mais ainda o seu estilo renascentista. Já seu trabalho em igrejas do rito Ucraniano é puramente barroco. Este detalhe está visivelmente marcado nos tons de cores, nas misturas de tintas, e na vivacidade das mesmas. Ele produzia, por exemplo, vários e impressionantes tons vermelhos...
No principio de sua carreira, Petrek compunha tintas com pó corante, óleo de linhaça, leite de vaca fervido, uma espécie de planta nativa, e pigmentos, como a alvaiada. Parecia haver um segredo nisso, mas que nunca foi revelado (sic..)
Deixou vários trabalhos – além dos citados - , como em Pinheiro Preto-SC, Candido de Abreu, Rio Preto (Irati), e várias capelas de Rio Azul, como Cerro Azul, Lageado, Faxinal dos Elias, e Agua Quente dos Meiras, e ainda, Santa Cruz, interior de Mallet.
Uma frustração foi não poder deslocar-se para trabalhar em uma comunidade ucraniana de Buenos Aires, no bairro onde existe o estádio do River Plate. O que impediu foi a ditadura militar do país vizinho, e que restringia passaportes com permanência de tempo suficiente para o trabalho.
Petrek pintou ainda algumas telas ao mesmo tempo em que ficava residindo nas comunidades. Eram encomendas. Foram poucas as telas trabalhadas, sem um número preciso. A única assinada por Petrek é de propriedade de Teobaldo Mesquita, e o motivo é a Ultima Ceia. Sempre receou e negou-se a assinar seus trabalhos.
Recentemente, já adoentado, Petrek recebeu a visita de um professor universitário do Canadá, que esteve no Brasil pesquisando a vida de descendentes de ucranianos. Levou daqui uma impressão muito forte e positiva dos trabalhos do artista.
Ainda neste mês de fevereiro, foram realizadas as gravações de um curta-metragem sobre a vida de Petrek e a Igreja de Cachoeira dos Paulistas. Baseado em um texto de Regina Pegoraro, o curta procurará mostrar – mesmo no trato com as tintas e pinceis - , a personalidade taciturna, deste que é até hoje, o maior artista plástico de Rio Azul. Este curta-metragem é patrocinado pela Petrobras, e tem o apoio de um programa do Ministerio da Cultura.
Sorumbático, vivia só. Reflexivo, contido e despojado, escondia uma inteligência e uma sabedoria singulares. Deixa saudades e várias marcas de um trabalho minucioso, e que muitas gerações que ainda virão, conhecerão e admirarão.
ET- A família Serafim, que reside em Rio Azul de Cima, possui uma obra também assinada pelo artista.
Teobaldo Mesquita